PACMAN's profileO portalPhotosBlogListsMore Tools Help

Blog


    February 15

    Limitações

                                                                 

    Limitações


    Um discípulo procurou o rabino Naham de Braslaw e falou:
    - Não continuarei mais meus estudos sagrados.

    Moro numa pequena casa
    com meus pais e meus irmãos, e nunca encontro as condições ideais para
    concentrar-me no que é importante.

    Naham apontou o Sol e pediu que seu discípulo colocasse a mão na frente
    do rosto de modo a ocultá-lo.

    O discípulo fez isto.

    Então o rabino disse:
    - Sua mão é pequena, porém conseguiu cobrir por completo a força, a luz
    e a majestade do imenso sol.

    Da mesma maneira, os pequenos problemas
    conseguem lhe dar a desculpa necessária para não seguir adiante em sua
    busca espiritual.

    Ninguém é culpado da própria incompetência.

    Assim
    como a mão tem o poder de esconder o sol, a mediocridade tem o poder
    de esconder a luz interior... Não deixe que isso aconteça.

    (Autor Desconhecido)

    “Deixe sua Luz ser mais Forte que a sua escuridão... Caliel”

    October 11

    O Interesse da Igreja Pela Inquisição

    O Interesse da Igreja Pela Inquisição

     

    Era evidente que a Igreja não podia tolerar as antigas religiões da Terra em culturas pré-cristãs. Mas a pergunta interessante é esta:

    Por que, após centenas de anos de coexistência entre comunidades cristãs e bolsões de Antigos Crentes, um virulento sanguinário ataque contra as Bruxas começou em fins do século XV e continuou por mais de 200 anos?

    A ausência de ação da Igreja nos primeiros tempos da Idade Média foi atribuída à sua falta de trama política para levar a cabo uma campanha geral contra as Bruxas. No começo do período medieval, a Igreja ainda não consolidara sua posição nas sociedades européias. Sua influência estava fracamente disseminada. A tolerância era, portanto uma necessidade. Mas no final da Idade Média o quadro tinha mudado. A igreja convertera-se numa importante força política e econômica na Europa. A inquisição era poderosa!! As cruzadas tinham criado acordos militares e econômicos entre bispos locais e nobres ricos. A trama estava montada para uma perseguição generalizada dos dissidentes. Outra pergunta a se fazer é:

    A caça às Bruxas estava a serviço dos interesses de quem?

     Bem, em primeiro lugar, os crescentes elementos comerciais nas sociedades do final da Idade Média estavam começando a considerar a terra uma mercadoria que podia ser comprada e vendida como propriedade. A noção capitalista de propriedade privada começou desalojando as antigas atitudes comunais de que a terra era sagrada e pertencia ao povo como um todo. O movimento de demarcação de terras, que se iniciou no apogeu da Idade Média e prosseguiu até o século XIX, desintegrou seriamente a vida camponesa.

    (Isso hoje nos faz lembrar de algo?)

    Neste processo aldeias inteiras ficaram despovoadas. Milhares de famílias de camponeses foram empurradas para mais longe, para áreas desabitadas e inóspitas, ou atraídas para as cidades em crescimento, onde passavam a trabalhar como assalariados. A vida pagã foi subvertida, os vizinhos começaram a temer os vizinhos, e, como acontece com tanta freqüência, eram precisos bodes expiatórios para explicar os tempos inseguros. Como foi fácil para a Igreja e para os interesses dos ricos em explorar várias regiões, arrumarem inúmeros motivos contra indivíduos que acreditavam nos velhos costumes e se batiam por um modo de vida baseado na unicidade da Terra e seu caráter sagrado.

    Além dos florescentes interesses comerciais e dos latifundiários ávidos por explorar a terra, a profissão médica também se interessou na perseguição das Bruxas e dos curandeiros que ofereciam uma alternativa às práticas médicas ensinadas nas universidades da época.

    Enfim, para justificar os milhões de execuções, a Igreja criou uma Demonologia Sistemática em torno das crenças, práticas e festividades populares pré-cristãs. Adicionaram-lhes fantasias sobre pactos com o diabo, sádicos e bizarros rituais sexuais e arremedos obscenos de cerimônias católicas. Certos que havia perseguições dos que mantinham uma ligação com o passado pagão. Mas é difícil de acreditar que as descrições das bruxarias saiam das vitimas torturadas e mutiladas e não das mentes doentes dos seus torturadores, pois os poderes dos inquisidores eram tão grandes, as suas torturas tão variadas e sádicas, que por fim, as vitimas acreditavam que realmente estavam possessas.

    Você fica perturbado com os crimes em nome da Religião ? Fere seu senso de justiça às guerras, terrorismo praticado pelos que dizem servir a Deus? continua... HISTÓRIA SIMBÓLICA DO CRISTIANISMO

    HISTÓRIA SIMBÓLICA DO CRISTIANISMO

    Apesar de somente oficializada pelas bulas papais do século doze em diante, a Inquisição tem suas origens remotas na época em que se fez a redação final do Novo testamento, marcada pela censura e reducionismo patriarcais. Os evangelhos de Tomé, de Filipe e de Maria, desenterrados junto com outros escritos gnósticos no Egito em 1945, e que ficaram conhecidos como a Biblioteca de Nag Hamadi, atribuem um papel muito relevante às mulheres na mensagem de Cristo, especialmente Maria Madalena. Segundo os evangelhos de Filipe e Maria, ela seria uma apóstola iniciada por Jesus, sendo mesmo a sua preferida. "Pedro respondeu [a Maria]... Ele realmente falou particularmente assim a uma mulher e não abertamente a nós? Ele preferiu ela a nós?"... "Maria chorou e disse a Pedro: - Pedro, meu irmão, o que pensas? Acreditas por acaso que inventei estas histórias em meu coração e minto sobre o Salvador? – Levi respondeu a Pedro: - Pedro, você sempre foi impetuoso. Agora vejo você atacando a mulher como um adversário. Mas se o Salvador a valorizou, quem é você para rejeitá-la? Certamente, o Salvador a conhece muito bem. Por isso é que ele a amou mais do que a nós."
    Bárbara Walker, autora de The Woman’s Encyclopedia of Myths and Secrets, diz: "Um dos segredos mais bem guardados do cristianismo era que a Mãe de Todos os Viventes foi a Criadora que puniu Deus. "As Bruxas consideram interessante que o nome Jeová é formado pelas quatro letras hebraicas Yod-He-Vau-He. A primeira significa "eu", as três seguintes "vida", e "mulher". A versão latina dessas três letras é E-V-E. Por outras palavras, o nome de Jeová é feminino e significa: "Eu sou mulher; eu sou vida". Hoje, um cântico popular entre as Bruxas baseia-se nessas letras antigas: "Io! Evohe!"
    Estes escritos descrevem, também uma série de rituais dionisíacos, ligados à mulher, à natureza e ao corpo, inclusive à dança, que seriam praticados pelos apóstolos. Esta seria uma das tendências dos seguidores de Cristo.
    Porém como já dissemos, a Censura Patriarcal, escolheu as palavras à dedo para reescrever e editar o Novo testamento. Da época que foi escrito o Gênesis até os nossos dias, essa narrativa básica da nossa cultura patriarcal tem servido ininterruptamente para manter a mulher em seu "devido lugar". E, aliás com muita eficiência. A partir deste texto, a mulher é vista como a tentadora do homem, aquela que perturba a sua relação com a transcendência e também aquela que conflitua as relações dos homens. Ela é ligada a natureza, ao sexo e ao prazer, domínios que tem que ser rigorosamente normatizados: a serpente, que nas eras matricêntricas era o símbolo máximo da sabedoria, se transforma no demônio, no tentador, na fonte de todo o pecado.

     

    "O Martelo Das Feiticeiras"

    A literatura cresceu em estridência na sua doutrinação de que as mulheres eram uma ameaça para a comunidade por terem conhecimento da magia. Com os anos, a campanha funcionou: no espírito popular, as mulheres que conheciam os processos da Arte mágica eram consideradas demoníacas.
    A mais influente de todas as peças de propaganda nessa campanha foi encomendada pelo Papa Inocêncio VIII em 1484, depois que declarou ser a Feitiçaria uma heresia. Ele instruiu os monges dominicanos Heinrich Kraemer e Jacob Sprenger para publicarem um manual de caça às Bruxas. Dois anos depois a obra apareceu com o título de Malleus Maleficarum ou "O Martelo das Feiticeiras". O manual foi usado ao longo dos 250 anos na tentativa da Igreja de destruir a Velha Religião na Europa ocidental, degradar as mulheres que praticavam curas e exerciam liderança espiritual, e criar discordâncias nas comunidades locais a fim de fortalecer as facções políticas e econômicas que a Igreja apoiava (e que, por sua vez, apoiavam a Igreja).
    O Martelo das Feiticeiras <MALLEUS Maleficarum>é uma das páginas mais terríveis do Cristianismo. É difícil imaginar que, durante três séculos, ele foi a Bíblia do inquisidor. Tentarei demonstrar que não foi por acaso que ele foi escrito no esplendor do Renascimento e se transformou no apogeu ideológico e pragmático da Inquisição contra a bruxaria, atingindo intensamente as mulheres. Como o leitor poderá verificar, este livro foi um livro de ódio, de tortura e de morte, no qual o maior crime é o cometido pelo próprio legislador ao redigir a lei. Suas vítimas não nos deixaram testemunho. É a própria ira dos legisladores, cuja loucura os levou a expor orgulhosamente seus crimes para a posteridade, que nos faz imaginar o terrível sofrimento passado pelos milhares de pessoas, em sua maioria mulheres, muitas das quais histéricas, que foram por eles torturados e condenados à prisão perpétua ou à morte.
    O livro é diabólico na sua concepção e redação. Dividido em três partes, a primeira cuida de enaltecer o Demônio com poderes divinos extremos e ligar suas ações com a bruxaria. Isto é ardilosamente articulado com a ideologia repressiva da Inquisição, declarando-se herética qualquer descrença nesses postulados. Na Segunda parte, ensina-se a reconhecer e a neutralizar a bruxaria nas vivências do dia-a-dia da população. Uma pessoa de conduta diferente, uma briga entre vizinhos, uma vaca que dá mais ou menos leite, uma criança que adoece, uma tempestade ou a diminuição da potência sexual, qualquer ocorrência pode ser atribuída à bruxaria.Trata-se de uma verdadeira religião do Diabo para explicar todos os males da vida individual e comunitária. É difícil imaginar que qualquer Bruxo ou Bruxa, por maior formação em ciência jurídica que tivesse, conseguisse legislar sobre os poderes do Demônio com tanta prodigalidade. Na terceira parte, descrevem-se o julgamento e as sentenças. Aí compreende-se como o livro é ardiloso. Em realidade, as duas primeiras partes são escolasticamente racionalizadas para justificar toda sorte de aberrações e crueldades mandadas executar na terceira parte, um verdadeiro escoadouro da patologia cultural acumulada no milênio da Idade Média.
    Ainda que delirante, sádico e puritano, não está aí a essência da patologia do Malleus. Ela advém fundamentalmente de o texto ter o objetivo de defender e de enaltecer Cristo, o que o transforma, loucamente, num código penal redigido por criminosos eruditos, doutamente referenciados no que havia de melhor na teologia cristã. Abençoados e protegidos por bula papal, os inquisidores Sprenger e Kramer, que escreveram o Malleus, são um sintoma da Inquisição, o grande câncer, a deformação psicótica do mito cristão.
    Ainda que a bula papal, que investiu Sprenger e Kramer como inquisidores contra a bruxaria, mencione Bruxos e Bruxas, o Malleus é dirigido às Bruxas. Seu texto é alimentado pelo ódio à mulher, pela misoginia, em função da qual são atribuídas a ela características desabonadoras, amealhadas enciclopedicamente e interpretadas com conotações machistas, as mais pejorativas, na primeira parte para justificar as práticas terríveis prescritas na terceira parte.
    O culminar da mitologia da Bruxaria ocorreu do século 15 ao 18 na descrição dos Sabbath ( descritos no manual de Kraemer e Sprenger). As Bruxas na mitologia cristã (ou seja as Bruxas descritas no manual de Kramer e Sprenger) afirmava-se que eram adoradoras do Demônio; que roubavam a eucaristia e os crucifixos das igrejas católicas, que blasfemavam e pervertiam práticas cristãs; eram conhecidas por terem sexo com Satanás e usar os seus poderes para fazer o mal. Bruxas e feiticeiros eram representados como voando em vassouras ou bodes, até ao Sabbath onde o Diabo (em várias formas) representaria uma versão blasfêmia da Missa. Haveria danças obscenas, um banquete com poções feitas em caldeirões; o banquete incluiria deliciosas criancinhas. A poção era usada para magoar ou matar pessoas ou para mutilar o gado. Os iniciados recebiam uma marca física, como uma garra debaixo do olho esquerdo. O Diabo era representado como um bode ou um sátiro ou uma besta mística com chifres, garras, cauda e/ou asas: uma farsa de anjo, meio homem meio besta.
    Um ato particular do Sabbath (descrito no Malleus) incluía o beijo ritual do traseiro do Diabo, aparentemente uma farsa ao tradicional ato cristão de submissão, de ajoelhar e beijar a mão ou o anel do clérigo. Numerosos testemunhos de Sabbath estão registrados. Por exemplo, uma pastora, Anne Jacqueline Coste, relatou no meio do século 17 que durante a noite de S. João ela e os seus acompanhantes ouviram um tremendo ruído e olhando para todos os lados para ver de onde vinha puderam ver sobre o monte, gatos, bodes, serpentes, dragões, e toda a espécie de impuros animais, que faziam o seu Sabbath e fazendo terrível confusão, que diziam as mais sujas e sacrílegas palavras que se podem imaginar e enchendo o ar com as mais abomináveis blasfêmias.
    Tais histórias foram contadas por séculos e eram aceitos pelos pios cristãos sem um traço de duvida quanto à sua veracidade. Tais histórias eram consideradas exatas. Pierre de l'Ancre, no seu livro sobre anjos, demônios e feiticeiros publicado em 1610, afirma ter assistido a um Sabbath. Eis a sua descrição:"...Eis os convidados da Assembléia, tendo cada um atrás de si um demônio, e saibam que no banquete é apenas servido nada mais que a carne dos que foram enforcados, os corações de crianças não batizadas, e outros estranhos e impuros animais, estranhos ao costume e uso do povo cristão, tudo sem sabor e sem sal..."
    As afirmações feitas em livros como o de L'ancre e a descrição das atividades do Sabbath em obras de arte ao longo de anos não eram consideradas ficções humorísticas nem manifestações de espíritos perturbados. Essas noções, por absurdo que nos pareça, eram consideradas verdade por milhões de cristãos. O mais estranho é que muitas pessoas até hoje acreditam em histórias semelhantes acerca de comer crianças e a morte ritual de animais, combinadas com abuso sexual e influências satânicas. Infelizmente, podemos apenas ter pena destas pobres pessoas ignorantes, que ignoram e temem a verdade sobre a bruxaria!!!

    "(O próprio Jesus disse:

    Mateus capitulo 10 versos 17:.Guardai-vos dos homens pois eles vos entregarão aos tribunais e as sinagogas.18...Sereis arrastado por minha causa em testesmunhos para eles e para as nações...²² e sereis pessoas odiadas por todos por causa de meu nome...)"

    AS PROVAS DA FEITIÇARIA

    Armados com o Malleus Maleficarum, os caçadores de Bruxas entravam nas aldeias e povoados e iniciavam sua busca. O guia oficial sugeria que as crianças eram os melhores informantes porque era fácil intimidá-las. Um método rotineiro era aplicar as meninas adolescentes 200 chicotadas em suas costas nuas para encoraja-las a acusar mães e avós de feitiçaria.
    As chamadas provas de feitiçaria eram variadas, ilógicas e usadas sem o menor critério. Por exemplo, se uma mulher, ao ser acusada, murmurasse alguma coisa com os olhos postos para o chão e não derramasse lágrimas, era uma Bruxa. Olhos dessemelhantes e olhos azul-pálidos indicavam uma Bruxa, assim como a presença da "marca do Diabo" (uma espécie de mamilão que aproximadamente uma em três mulheres apresenta). Uma verruga, ou a presença de sardas, se qualificava como sinal do Diabo. Estas são apenas algumas das inúmeras marcas que o diabo oferecia para as Bruxas...
    Se qualquer dessas "marcas do Diabo" não fosse encontrada, um inquisidor decidido a incriminar uma determinada mulher como Bruxa podia suspeitar de que a marca tinha sido habilmente escondida para não ser detectada. Examinar o corpo de uma mulher para encontrar sinais do diabo resultou num tão elevado número de casos de estupro que os bispos tiveram finalmente que elaborar diretrizes para desencorajar o "zelo" com que os inquisidores realizavam a sua busca.
    O princípio de corpus delicti (ou seja, provas físicas) não era necessário para se estabelecer o "crime" de Feitiçaria. Não se precisava de uma vítima ou prova de um crime genuíno. Boatos, acusações e falsos testemunhos de outros na comunidade eram mais que suficientes.

    AS TORTURAS

    O ódio à mulher misturou-se na Inquisição e no Malleus à atração mórbida por ela devido à sexualidade culturalmente reprimida e à sua desvalorização na Igreja. Isso fez com que a tortura para se obter confissões de bruxarias incluísse procedimentos tarados, ou seja sexualmente perversos, que incluíam o voyeurismo e o sadismo. As mulheres eram despidas e seus cabelos e pêlos raspados à procura de objetos enfeitiçados escondidos em suas partes íntimas "que não devem ser mencionadas". As torturas praticadas são difíceis de imaginar, mas o texto do Malleus nos dá idéia de terem sido terríveis, sobretudo porque o processo recomendado no mesmo, é um delírio francamente orientado para se obter confissões, e não para se verificar culpabilidade.
    Havia regras para a tortura, como se isso a tornasse de algum modo mais humana. Por exemplo, a tortura nunca poderia durar mais de uma hora. Mas os inquisidores podiam suspender uma sessão minutos antes de se completar uma hora, e assim começar de novo uma nova sessão. Havia três etapas aprovadas: uma, para obter uma confissão; a segunda para determinar o motivo; a terceira para incriminar cúmplices e simpatizantes.
    Por vezes, a tortura podia durar as 24 horas do dia. Os tornozelos eram quebrados, seios decepados, enxofre despejado nos cabelos da cabeça e de outras partes do corpo e tocava-se-lhe fogo; braços e pernas eram desarticulados, os tendões desfibrados, espáduas deslocadas, agulhas em brasa enfiadas sob unhas dos dedos das mãos e dos pés, e os polegares esmagados com torniquetes. Às vítimas eram dados banhos escaldantes em água misturada com cal viva, içadas em cordas e depois deixadas cair, suspensas pelos polegares com pesos atados aos tornozelos, penduradas de cabeça para baixo e fazendo-as girar, chamuscadas com archotes, estupradas com instrumentos cortantes, espremidas sob pesadas pedras.

    Por vezes também, os membros da família eram forçados a presenciar a tortura de um outro antes de chegar a vez de cada um deles. A caminho da fogueira, as vítimas podiam ter a sua língua arrancadas ou as bocas esfregadas com um atiçador em brasa para impedi-las de blasfemar ou de gritar obscenidades durante a execução.
    O inquisidor Nicholas Remy declarou atônito, conforme admitiu, com o fato de "tantas Bruxas terem desejo positivo de morte". É difícil de acreditar que ele não conseguisse entender porquê? Na fogueira leva cerca de meia hora para morrer em resultado da fumaça e das bolhas na pele. O carvão vegetal de combustão lenta pode prolongar a agonia por um dia inteiro.
    Terminado o auto-de-fé, realizava-se usualmente um jantar público para celebrar "um ato agradável a Deus..."

    Como pudemos ver, durante três séculos o Malleus foi a Bíblia dos inquisidores e esteve na banca de todos os julgamentos. Quando cessou a caça às bruxas no século XVIII, houve grande transformação na condição feminina. A sexualidade se normaliza e as mulheres se tornam frígidas, pois orgasmo era coisa do diabo e, portanto, passível de punição. Reduzem-se exclusivamente ao âmbito doméstico, pois sua ambição também era passível de castigo. O saber feminino popular cai na clandestinidade, quando não é assimilado como próprio pelo poder médico masculino já solidificado. As mulheres não têm acesso ao estudo como na idade Média e passam a transmitir voluntariamente a seus filhos valores patriarcais já então totalmente introjetados por elas. Na verdade, a Igreja criou um reino de terror superior em muitos aspectos aos de Stalin ou Hitler.

    Os modernos inquisidores não queimam pessoas, em vez disto continuam querendo associar as Bruxas aos cultos satânicos, o que já vimos ser uma grande mentira, porém a inquisição ainda continua viva em nossa memória com muitos pontos de interrogação, poucas respostas e muita dor...
    A literatura sempre contribuiu para que esta etapa da história se fixasse:"... Monges encarapuçados, cantam as litanias, as damas delicadas que assistem ao espetáculo do auto-de-fé abanam os leques para afastar o odor da carne queimada..."
    É... seria útil utilizarmos também a literatura para derramarmos alguma luz sobre este problema tão atual... o problema da liberdade e da dignidade humana.

    "Vigiai-vos dos falsos profetas que chegam a vós em pele de ovelhas mais que por dentro são lobos vorazes...(Jesus 'Cristo')